Sexta-feira, 20h. Um casal está na rua, com fome, e escreve no telemóvel «restaurante perto de mim». Em segundos decide entre três sítios, e decide quase sempre pelo mesmo critério: qual mostra a ementa, os preços, as fotos dos pratos e uma forma rápida de reservar mesa. Se o seu restaurante só tem uma página de Facebook desatualizada, ou uma ementa em PDF que não abre no telemóvel, perdeu a mesa antes de o cliente chegar à porta.
Este guia explica, sem jargão, o que um site para restaurante deve ter em 2026, quanto custa em Portugal, como ligá-lo ao Google Maps e às reservas, e como fugir às comissões das plataformas para os clientes que já são seus.
Porque é que um restaurante precisa de site (e não só de Instagram)
Os seus clientes estão online. Segundo o inquérito do INE à utilização de tecnologias pelas famílias, citado pelo Público, 89,5% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos usaram a internet em 2025 e 49,6% fizeram encomendas online. A ANACOM arredonda o número para metade da população a comprar pela internet, embora Portugal continue abaixo da média europeia, o que quer dizer que ainda há muito espaço para crescer.
As redes sociais ajudam a ser descoberto, mas têm três limites para um restaurante:
- Não aparecem bem no Google. Quem pesquisa «marisqueira em Matosinhos» ou «jantar de grupo em Coimbra» vê primeiro o mapa e os sites. Uma publicação de Instagram de há três semanas não responde a «estão abertos ao domingo?».
- A ementa perde-se. No feed, o prato do dia de ontem esconde a carta completa. No site, a ementa está sempre no mesmo sítio, com preços e alergénios.
- Não são seus. Se a conta for bloqueada ou o algoritmo mudar, perde o contacto com os clientes. O domínio e o site ficam em nome da empresa.
O que o site de um restaurante tem de ter
Um bom site de restaurante não precisa de dez páginas. Precisa de responder às perguntas que o cliente faz antes de sair de casa, em menos de dez segundos e no telemóvel. Esta é a lista que usamos como ponto de partida:
- Ementa em texto, não em PDF. Com secções (entradas, pratos, sobremesas, bebidas), preços e uma descrição curta. O Google consegue ler texto; um PDF pesado ou uma foto da carta, nem sempre. E o cliente não tem de fazer zoom.
- Reservar em dois toques. Um botão «Reservar mesa» sempre visível, que abre um formulário simples (dia, hora, número de pessoas, telefone) ou o seu sistema de reservas. Ao lado, o botão de ligar e o de WhatsApp.
- Horário e morada certos. Com mapa, indicação de estacionamento e os dias de folga. Se fecha em agosto ou abre nos feriados, diga-o aqui primeiro.
- Fotografias verdadeiras. Da sala, da esplanada e dos pratos que mais vende. Fotos de banco de imagens notam-se logo e tiram confiança.
- Alergénios. A lei já obriga os restaurantes a informar sobre as substâncias que podem causar alergias ou intolerâncias (o Decreto-Lei n.º 26/2016, que aplica em Portugal o regulamento europeu 1169/2011). Pôr essa informação na ementa online é um serviço ao cliente e poupa perguntas ao telefone.
- Encomendas e take-away, se fizer. Mesmo sem loja online completa, uma página com a carta de take-away e um botão de encomenda por WhatsApp já resolve muitos pedidos.
- As obrigações legais de qualquer site: identificação da empresa, política de privacidade, aviso de cookies e ligação ao Livro de Reclamações eletrónico. Explicamos tudo no guia o que o site da sua empresa tem de ter por lei.
Extras que valem a pena quando o negócio cresce: página de grupos e eventos (com pedido de orçamento), vales de oferta, menu em inglês para turistas e uma secção de notícias para o menu da época.
Ligar o site ao Google Maps: onde se ganham as mesas
Para um restaurante, o Perfil da Empresa no Google (a «ficha» que aparece no Maps) é tão importante como o próprio site, e os dois trabalham juntos. A Google tem um editor de menu próprio para restaurantes e outros negócios de comida e bebida: pode escrever os pratos à mão ou, de forma experimental, carregar uma foto ou um PDF da carta para a IA da Google o transformar num menu. As alterações demoram 24 a 48 horas a aparecer no Maps e na Pesquisa.
Na mesma ficha, em «Contacto», pode pôr um link do menu. É aqui que o site faz diferença: em vez de levar o cliente para uma foto desfocada, leva-o para a página da ementa no seu site, com o botão de reservar logo ao lado. Três passos práticos:
- Confirme que a categoria principal da ficha é a certa (por exemplo «Restaurante de marisco» e não só «Restaurante»).
- Use o mesmo nome, morada e telefone no site e no Google, letra por letra.
- Responda às avaliações e peça-as aos clientes satisfeitos. Temos um guia passo a passo sobre como conseguir mais avaliações no Google e outro sobre como aparecer no Google Maps.
Reservas: sistema próprio, plataforma ou os dois?
Há três formas de receber reservas online, e muitos restaurantes usam mais do que uma:
- Plataformas de reservas (como o TheFork). Trazem clientes novos e turistas que ainda não o conhecem. Em troca, cobram ao restaurante, e o cliente fica a ser «da plataforma». Peça sempre a tabela de condições por escrito antes de aderir.
- Formulário ou sistema de reservas no seu site. Sem comissão por mesa, com os contactos a ficarem consigo. Ideal para os clientes habituais e para quem já o encontrou no Google.
- Reservas por WhatsApp ou telefone, ainda as mais comuns. Funcionam, mas ocupam quem está ao balcão no pior momento. Uma automação pode responder sozinha, confirmar e mandar o lembrete no próprio dia, como explicamos em como automatizar marcações com IA.
A estratégia que mais vemos resultar: usar a plataforma para ser descoberto e o site para todos os clientes que já sabem o seu nome. Cada reserva feita diretamente no site é uma comissão que fica em casa.
Take-away e entregas sem pagar comissão em tudo
As plataformas de entrega são úteis para chegar a quem não o conhece, mas são caras. Quando a DECO Proteste analisou os contratos em 2020, encontrou comissões entre 15% e 35% sobre as vendas, além de outras taxas. Os valores mudam de contrato para contrato, mas a lógica mantém-se: numa refeição de 20 euros, uma parte grande da margem fica pelo caminho.
A alternativa não é largar as plataformas, é dar aos clientes habituais um canal direto: uma página de encomendas no site, com pagamento por MB WAY ou no levantamento, e um aviso no saco de take-away («da próxima vez, encomende em www.oseurestaurante.pt»). Se quiser ir mais longe, uma pequena loja online de take-away com pagamento integrado resolve; explicamos as opções em MB WAY e Multibanco na loja online.
Quanto custa um site para restaurante em Portugal
Os valores variam muito com quem faz e com o que inclui. Estas são as gamas que publicámos no nosso guia quanto custa criar um site profissional em Portugal:
| Opção | Custo típico | Para quem |
|---|---|---|
| Plataforma «faça você mesmo» (Wix, Squarespace) | 150 € a 400 € por ano, para sempre | Quem tem tempo para montar e atualizar sozinho |
| Freelancer | 300 € a 2.500 € pelo projeto | Projetos simples, com qualidade e apoio variáveis |
| Agência tradicional | 2.000 € a 10.000 € | Grupos de restauração com marca forte |
| Vert Tech: site para restaurante | a partir de 349 € | Ementa, reservas, ligação ao Google e WhatsApp, pronto em dias |
A estes valores juntam-se o domínio (10 a 30 € por ano; veja como registar um domínio .pt) e o alojamento. Faça a conta pelo lado do retorno: se o site trouxer duas mesas de quatro pessoas por semana que antes iam para o vizinho, paga-se em poucas semanas.
Erros comuns que fazem perder clientes
- Ementa só em PDF de vários megas, que demora a abrir com rede fraca.
- Preços desatualizados. O cliente que vê 12 € no site e paga 15 € na mesa escreve uma avaliação.
- Horário diferente no site e no Google. O pior cenário: o cliente chega e a porta está fechada.
- Não haver botão de reservar no topo da página, no telemóvel.
- Site feito e esquecido. Sem menu da época, sem fotos novas, sem resposta aos pedidos de grupo.
Por onde começar
Se ainda não tem site, comece pelo essencial: ementa em texto, botão de reservar, horário, morada e fotos verdadeiras, tudo ligado ao seu Perfil da Empresa no Google. Depois junte as reservas automáticas e o take-away direto. Na Vert Tech fazemos sites para restaurantes com tudo isto pronto, e podemos ligar um assistente de IA que responde a pedidos de reserva no WhatsApp a qualquer hora. Se quiser ver o que faz sentido para a sua casa, marque uma conversa gratuita.
Perguntas frequentes
Quanto custa um site para um restaurante em Portugal?
Depende de quem faz: plataformas como Wix custam 150 € a 400 € por ano, um freelancer 300 € a 2.500 € e uma agência 2.000 € a 10.000 €. Na Vert Tech, um site para restaurante com ementa, reservas e ligação ao Google começa nos 349 €, mais domínio e alojamento.
Posso pôr a ementa do restaurante no Google Maps?
Sim. O Perfil da Empresa no Google tem um editor de menu para restaurantes e um campo «Link do menu». O ideal é ligar esse campo à página da ementa no seu site, em texto e com preços.
A ementa online tem de indicar os alergénios?
Os restaurantes são obrigados a informar os clientes sobre alergénios (Decreto-Lei n.º 26/2016). Pôr essa informação também na ementa online é a forma mais simples de cumprir e evita perguntas ao telefone.
Vale a pena ter reservas no site se já estou no TheFork?
Sim. A plataforma ajuda a ser descoberto por clientes novos; o site recebe as reservas de quem já o conhece, sem comissão e com o contacto do cliente a ficar consigo.
Fontes e bibliografia
- Público — Quase 90% dos portugueses entre 16 e 74 anos usam a Internet, mas só 38,7% a IA (dados do INE, IUTICF 2025) (21 Nov 2025)
- ANACOM — O Comércio Eletrónico em Portugal e na União Europeia em 2025 (Fev 2026)
- Ajuda do Perfil da Empresa no Google — Acerca do Editor do menu (consultado a 23 Out 2026)
- Diário da República — Decreto-Lei n.º 26/2016 (informação sobre alergénios, aplica o Regulamento UE 1169/2011) (9 Jun 2016)
- Observador — Deco denuncia abuso de poder de mercado pela Glovo e Uber Eats (12 Nov 2020)
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