Esta semana a inteligência artificial deu mais um passo para dentro das compras: a Walmart, a maior cadeia de lojas do mundo, abriu a porta aos agentes de IA que compram em nome dos clientes. Ao mesmo tempo, um estado americano levou o Meta a tribunal por causa dos anúncios-burla no Facebook, Instagram e WhatsApp. Em Portugal, o Estado entrou com até 50 milhões de euros num fundo europeu para empresas tecnológicas e a Madeira abriu um apoio para as empresas da região. Eis o que aconteceu e o que isto significa para o seu negócio.

1. Walmart deixa os agentes de IA fazer compras pelos clientes

O que aconteceu: a 21 de outubro, o presidente executivo da Walmart, John Furner, anunciou em São Francisco o Walmart Agent Gateway, uma porta de entrada para assistentes de IA aprovados pesquisarem o stock online e fazerem compras em nome do cliente na Walmart e no Sam's Club. Funciona com o MCP, o protocolo aberto criado pela Anthropic para ligar a IA a outros sistemas. A Walmart já tinha ligações ao ChatGPT, ao Gemini e ao Muse do Meta (TechCrunch).

Até meados de novembro chegam os Agent Profiles: cada agente passa a ter um perfil próprio dentro da conta do cliente, com as compras separadas. O cliente escolhe se aprova cada compra ou se dá ao agente um limite de gastos (por exemplo 50, 100 ou 200 dólares), e pode apagar o perfil quando quiser. Os agentes não veem os dados do cartão, não podem ir além do que o cliente pediu e, se o agente se enganar, aplicam-se as regras normais de devolução. Quem não cumprir as regras é bloqueado. Não é preciso ser cliente pago (Walmart+). É o contrário do que faz a Amazon, que começou a bloquear agentes de IA que fazem compras pelos clientes (TechCrunch; The Next Web).

Fachada de um hipermercado Walmart Supercenter com parque de estacionamento
Walmart Supercenter em Thomasville, na Geórgia (EUA). Foto: Winnebaggo, Wikimedia Commons, CC0 (domínio público).
Vídeo gratuito: «Walmart launching AI ‘agents’ to shop for customers» — KNWA-FOX24, YouTube (em inglês).

O que isto significa para o seu negócio: em breve, parte dos seus clientes não vai entrar na sua loja online — vai mandar o ChatGPT ou o Gemini comprar por eles. O agente escolhe quem tem a informação mais clara: preço, stock, prazos de entrega e condições de devolução escritos no site, fichas de produto completas e pagamento simples (MB WAY, Multibanco, cartão). Uma loja com fotos sem descrição e preços «sob consulta» fica de fora. Não precisa de fazer o que a Walmart fez, mas precisa de ter a casa arrumada para ser lida por uma máquina.

2. Meta processado por um estado americano por causa dos anúncios-burla

O que aconteceu: a 22 de outubro, o procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha, pôs o Meta em tribunal (Tribunal Superior do Condado de Providence) por tolerar anúncios fraudulentos no Facebook, Instagram e WhatsApp. A queixa diz que as ferramentas de IA de criação de anúncios do Meta chegaram a ajudar burlões, e que a empresa, em vez de bloquear anunciantes suspeitos de fraude, por vezes lhes cobrava mais. É o primeiro estado dos EUA a avançar com um caso destes (The Next Web).

A queixa apoia-se em documentos internos noticiados pela Reuters em 2025: o Meta estimava mostrar cerca de 15 mil milhões de anúncios-burla de alto risco por dia e previa que cerca de 10% das receitas de 2024 (uns 16 mil milhões de dólares) viessem de anúncios de burlas e produtos proibidos. Entre os exemplos estão anúncios que se faziam passar por um alto quadro do Bank of America para atrair pessoas para esquemas de ações no WhatsApp. Rhode Island pede coimas, devolução do dinheiro aos consumidores e um monitor independente. O Meta contesta e diz que combate ativamente as burlas (The Next Web).

Placa com o logótipo do Meta à entrada da sede em Menlo Park, Califórnia
Sede do Meta em Menlo Park, na Califórnia. Foto: LPS.1, Wikimedia Commons, CC0 (domínio público).
Vídeo gratuito: «RI AG files lawsuit against Meta» — WPRI, YouTube (em inglês).

O que isto significa para o seu negócio: duas coisas. Primeiro, a sua marca pode ser copiada num anúncio falso — vigie de vez em quando a Biblioteca de Anúncios do Meta com o nome da empresa e denuncie o que encontrar. Segundo, os clientes estão cada vez mais desconfiados de anúncios nas redes; quem anuncia a sério ganha com sinais de confiança: site próprio com o seu domínio, NIF e morada visíveis, avaliações reais no Google e um número de WhatsApp Business verificado. E se este processo apertar as regras, verificar a identidade de quem anuncia pode vir a ser exigido — tenha os dados da empresa em ordem.

3. Portugal entra com até 50 milhões no fundo europeu para empresas tecnológicas

O que aconteceu: foi publicada em Diário da República a 22 de outubro a Resolução do Conselho de Ministros que põe Portugal na European Tech Champions Initiative 2.0 (ETCI 2.0), do Grupo Banco Europeu de Investimento (BEI). Portugal subscreve até 50 milhões de euros, pagos pelo Orçamento do Estado. A iniciativa quer juntar até 15 mil milhões de euros e mobilizar até 80 mil milhões de investimento, chegando a mais de 100 fundos de capital de risco e cerca de 1.500 empresas tecnológicas europeias. Pela primeira vez entram também fundos de média dimensão (ECO).

Atenção: o Ministério das Finanças esclareceu que não é um apoio direto às empresas. É um «fundo de fundos»: o BEI investe em grandes fundos de capital de risco, e são os gestores desses fundos que escolhem em que empresas investir. A primeira edição, de 2023, mobilizou cerca de 3,9 mil milhões de euros e ajudou 12 «unicórnios» europeus (ECO).

Edifício do Banco Europeu de Investimento no Luxemburgo
Sede do Banco Europeu de Investimento, no Luxemburgo. Foto: FrDr, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

O que isto significa para o seu negócio: para a padaria ou a oficina, nada muda amanhã — não há formulário para preencher. Mas se tem uma empresa de tecnologia a crescer (software, apps, plataformas), haverá mais fundos com dinheiro europeu à procura de onde investir, e Portugal passa a estar à mesa. Os investidores olham primeiro para o que se vê: produto a funcionar, clientes a pagar e números organizados. Vale a pena tê-los prontos antes de bater à porta.

4. Madeira 2030 abre apoio às empresas da região até 20 de novembro

O que aconteceu: o Portugal 2030 anunciou a 21 de outubro a abertura do aviso M2030-2026-35, do sistema de incentivos «Funcionamento 2030», do programa Madeira 2030. Podem candidatar-se micro, pequenas e médias empresas e grandes empresas da Região Autónoma da Madeira. O apoio compensa os custos extra de estar numa ilha — a distância, a insularidade e o mercado pequeno — para manter as empresas viáveis e manter ou criar emprego. As candidaturas fazem-se no Balcão dos Fundos até às 17h00 de 20 de novembro de 2026 (Portugal 2030). A notícia não indica o valor total nem as taxas de apoio: consulte o aviso completo antes de se candidatar.

Porto do Funchal, na Madeira, com a cidade e as montanhas ao fundo
Porto do Funchal: o transporte por mar é um dos custos extra das empresas da Madeira. Foto: Dietmar Rabich, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

O que isto significa para o seu negócio: se a sua empresa está na Madeira, tem um mês para ver se se aplica e preparar a candidatura com o seu contabilista. Os custos extra têm de ser demonstrados, por isso ajuda muito ter faturação e despesas organizadas e fáceis de tirar — por exemplo, transportes e fretes separados por categoria. Se está no continente, fique atento: o plano de avisos do Portugal 2030 tem mais apoios previstos até ao fim do ano.

O que fica desta semana para as empresas portuguesas

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Perguntas frequentes

Como funcionam os agentes de IA que compram na Walmart?

Desde 21 de outubro de 2026, a Walmart tem o Agent Gateway, que deixa assistentes de IA aprovados (ligados por MCP) pesquisar o stock e comprar pelo cliente. Até meados de novembro chegam os Agent Profiles: cada agente tem um perfil na conta do cliente, que aprova cada compra ou define um limite de gastos. Os agentes não veem os dados do cartão e não é preciso ser Walmart+.

Porque é que Rhode Island processou o Meta?

A 22 de outubro de 2026, o procurador-geral de Rhode Island acusou o Meta de tolerar anúncios fraudulentos no Facebook, Instagram e WhatsApp, de as suas ferramentas de IA de anúncios terem ajudado burlões e de cobrar mais a anunciantes suspeitos em vez de os bloquear. Pede coimas, devolução aos consumidores e um monitor. O Meta contesta.

A ETCI 2.0 dá dinheiro diretamente às empresas portuguesas?

Não. Portugal subscreve até 50 milhões de euros na European Tech Champions Initiative 2.0 do Grupo BEI, um fundo de fundos que quer juntar até 15 mil milhões. O BEI investe em fundos de capital de risco e são os gestores desses fundos que escolhem as empresas tecnológicas onde investir.

Fontes e bibliografia

  1. TechCrunch — While Amazon blocks AI agents, Walmart rolls out the welcome mat (21 Out 2026)
  2. The Next Web — Walmart will let AI agents shop for you, with their own spending limits (23 Out 2026)
  3. The Next Web — Rhode Island sues Meta, alleging it profits from scam ads (23 Out 2026)
  4. ECO — Portugal vai entrar no novo fundo do BEI para financiar empresas tecnológicas (22 Out 2026)
  5. Portugal 2030 — Madeira 2030 abre apoios para o desenvolvimento económico e criação de emprego nas empresas (21 Out 2026)
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