Uma família alemã encontra o seu apartamento no Booking, fica uma semana, adora a estadia e no ano seguinte quer voltar. Volta a pesquisar no Booking, reserva outra vez pela plataforma e o senhor paga outra vez a comissão, por um cliente que já era seu. Multiplique isto por todos os hóspedes repetentes de um ano e percebe porque é que cada vez mais donos de alojamento local querem um site com reservas diretas.
Este guia é para quem explora um apartamento, uma moradia, um quarto ou um pequeno hostel em regime de alojamento local (AL) em Portugal. Explica quanto custam as plataformas em 2026, o que um site de AL deve ter, o que a lei obriga a mostrar, como aparecer no Google sem pagar comissão e quanto custa fazer tudo isto.
Quanto paga hoje às plataformas
As plataformas trazem hóspedes de todo o mundo e não faz sentido largá-las. Mas convém saber exatamente quanto custam, porque os números mudaram este ano:
- Airbnb: desde 13 de outubro de 2026, na União Europeia, passou a cobrar uma taxa única de 15,5% ao anfitrião, em vez dos cerca de 3% de antes (o hóspede deixou de pagar a taxa de serviço à parte). A análise da Rental Scale-Up mostra que, para quem não está registado em IVA em Portugal, os 23% de IVA sobre a taxa elevam o custo efetivo para cerca de 19% de cada reserva.
- Booking.com: a comissão depende do tipo de alojamento, da zona e dos programas em que participa (Genius, parceiro preferencial). A média mundial ronda os 15%, segundo a Guesty, e é aplicada ao valor total da reserva, incluindo a limpeza. O valor exato está no seu extranet.
Faça a conta com o seu caso. Um T1 que fatura 30.000 € por ano nas plataformas entrega entre 4.500 € e 5.700 € em comissões. Se só um quarto dessas reservas passasse a ser direta (hóspedes repetentes, recomendações, quem o encontra no Google), poupava mais de 1.000 € por ano, o suficiente para pagar o site várias vezes.
Há ainda um bónus fiscal que poucos conhecem: segundo o idealista/news, a Autoridade Tributária aceita as comissões das plataformas como despesa dedutível. Mesmo assim, uma reserva direta continua a ser a mais rentável.
O mercado está a mudar: menos AL, mais exigência
Portugal é um dos grandes destinos de arrendamento de curta duração da Europa. O Eurostat contou quase 952 milhões de noites reservadas em 2025 na UE através do Airbnb, do Booking e da Expedia, com as regiões portuguesas entre as mais procuradas.
Ao mesmo tempo, o setor está a ser «limpo». Em junho de 2026 havia 119.147 registos de AL ativos, depois de mais de 10.000 cancelamentos, e mais de 37.000 ainda não tinham entregue o seguro obrigatório. Quem fica no mercado é quem está em regra e trata o AL como um negócio. E um negócio a sério tem uma montra própria, que não depende do algoritmo de ninguém.
O que um site de alojamento local deve ter
Um bom site de AL não precisa de dezenas de páginas. Precisa de responder depressa às perguntas que o hóspede faz antes de reservar:
- Fotos reais e boas de todas as divisões, da vista e da zona. É o que mais vende. Uma tarde com um fotógrafo vale mais do que qualquer texto.
- Calendário de disponibilidade e preço visíveis logo à entrada, sincronizados com o Airbnb e o Booking (por iCal ou por um channel manager) para nunca haver reservas duplicadas.
- Reserva e pagamento online com cartão, MB WAY ou Multibanco, e confirmação automática por email. Explicámos as opções de pagamento em MB WAY e Multibanco no site.
- Vários idiomas: pelo menos português e inglês; francês, alemão e espanhol se for esse o seu público.
- Localização e o que há perto: mapa, distância à praia, ao centro, ao aeroporto e ao estacionamento.
- Regras da casa e política de cancelamento claras, com horários de check-in e check-out.
- Avaliações de hóspedes reais, por exemplo as do Google (veja como conseguir mais avaliações no Google).
- Botão de WhatsApp para dúvidas rápidas, de preferência com respostas automáticas fora de horas (falamos disso em automatizar o WhatsApp).
- Um motivo para reservar direto: o melhor preço garantido, check-out tardio, uma garrafa de vinho à chegada. Sem vantagem clara, o hóspede volta à plataforma por hábito.
O que a lei obriga a mostrar no site
Além das regras gerais para qualquer site de empresa (identificação do titular, NIF, política de privacidade, cookies e resolução alternativa de litígios), que explicámos em obrigações legais de um site em Portugal, o alojamento local tem regras próprias:
- Livro de Reclamações Eletrónico. O Turismo de Portugal lembra que é obrigatório e que o acesso à plataforma (livroreclamacoes.pt) tem de estar no site «em local visível e de forma destacada». O livro em papel continua a ser obrigatório no alojamento, e as reclamações têm resposta em 15 dias úteis.
- Número de registo (RNAL). As plataformas são obrigadas a exibir o número de registo de cada alojamento. No seu site, mostrá-lo no rodapé e na página do alojamento é boa prática e dá confiança ao hóspede.
- Dados dos hóspedes e RGPD. Se o formulário de reserva pede nome, documento ou data de nascimento, tem de explicar para que servem, quanto tempo os guarda e como se pedem apagados.
- Preços com tudo incluído. O preço anunciado deve incluir a limpeza e as taxas obrigatórias, para não haver surpresas no fim da reserva. A taxa turística municipal pode aparecer à parte, mas de forma clara.
Como aparecer no Google sem pagar comissão
Pouca gente sabe disto: o Google mostra alojamentos de férias nos resultados de pesquisa, no Maps e no Google Travel, com links de reserva gratuitos que levam o cliente diretamente ao seu site. Segundo a ajuda oficial do Google, mostrar o alojamento não tem custo e não há taxas pelas reservas que vêm daí. Para entrar é preciso enviar preços e disponibilidade, normalmente através de um motor de reservas ou channel manager que seja parceiro do Google.
A isto junta-se a ficha do Perfil da Empresa no Google (antigo Google My Business), com fotos, avaliações e o link para o site. Explicamos o passo a passo em como aparecer no Google Maps.
Como levar os hóspedes das plataformas para o site
As regras do Airbnb e do Booking não permitem desviar reservas durante a conversa na plataforma. Mas tudo o que acontece depois da estadia, ou fora delas, é seu:
- Um cartão no alojamento com o endereço do site e um código de desconto para a próxima visita.
- Um guia da casa digital (Wi-Fi, regras, restaurantes recomendados) alojado no seu site. O hóspede abre-o várias vezes durante a estadia e guarda o endereço.
- Uma mensagem de agradecimento por email ou WhatsApp, com autorização do hóspede, a lembrar o preço direto para quem volta.
- Redes sociais e Google a apontar sempre para o site, nunca para o anúncio da plataforma.
Com uma automação simples, o envio do guia, da mensagem de check-in e do pedido de avaliação acontece sozinho. É o tipo de funil com IA que montamos para pequenos negócios.
Quanto custa um site para alojamento local
Há três caminhos, com custos muito diferentes:
| Opção | Custo típico | Prós e contras |
|---|---|---|
| Site incluído no software de gestão (PMS / channel manager) | Mensalidade do software, por alojamento | Rápido de ligar; design igual ao de muitos outros e o site deixa de existir se mudar de software |
| Plataforma «faça você mesmo» (Wix, Squarespace) | 150 € a 400 € por ano, mais o motor de reservas | Barato no início; dá trabalho a montar e a sincronizar o calendário |
| Freelancer ou agência | 300 € a 10.000 € | Qualidade e apoio muito variáveis; confirme quem fica dono do domínio |
| Vert Tech: site para alojamento local | a partir de 349 € | Site rápido e multilingue, ligado ao calendário, ao Google e ao WhatsApp; reservas e pagamentos online à medida |
As gamas gerais estão no nosso guia quanto custa um site em Portugal. A estes valores somam-se o domínio (10 a 30 € por ano) e o alojamento do site. Faça sempre a conta ao contrário: quantas reservas diretas por ano pagam o site? Na maioria dos AL, duas ou três chegam.
Erros comuns em sites de alojamento local
- Preço no site mais alto do que no Booking. O hóspede compara em segundos e volta à plataforma.
- Calendário que não sincroniza, com o risco de duas reservas para as mesmas noites.
- Só «envie-nos um email para reservar». Quem está a planear férias às onze da noite quer reservar já.
- Fotos escuras ou tiradas ao telemóvel com a cama por fazer.
- Sem livro de reclamações eletrónico nem identificação do titular no rodapé.
- Site lento por causa de vídeos e fotos enormes, quando quase todos reservam pelo telemóvel.
Por onde começar
Comece por três coisas: ver no extranet do Booking e no Airbnb quanto pagou de comissões no último ano, reunir as melhores fotos e escrever a vantagem que vai dar a quem reserva direto. Com isso, um site de alojamento local fica pronto em poucos dias. Veja o que fazemos em sites para empresas ou marque uma conversa gratuita e fazemos consigo as contas às comissões e às reservas diretas.
Perguntas frequentes
Quanto custa um site para alojamento local?
Um site feito em plataformas como Wix custa 150 € a 400 € por ano, mais o motor de reservas; freelancers e agências cobram entre 300 € e 10.000 €. Na Vert Tech, um site para alojamento local começa nos 349 €, mais domínio e alojamento, com reservas e pagamentos online à medida.
Quanto cobram o Airbnb e o Booking ao alojamento local em 2026?
Desde 13 de outubro de 2026 o Airbnb cobra na UE uma taxa única de 15,5% ao anfitrião, que chega a cerca de 19% com IVA para quem não está registado em IVA. No Booking a comissão varia com o alojamento e a zona, com uma média próxima de 15% sobre o valor total da reserva.
O site do alojamento local tem de ter o livro de reclamações eletrónico?
Sim. Segundo o Turismo de Portugal, o acesso à plataforma livroreclamacoes.pt tem de estar no site em local visível e destacado, e o livro em papel continua obrigatório no alojamento.
Posso aparecer no Google sem pagar comissões?
Sim. O Google mostra alojamentos de férias com links de reserva gratuitos que levam o hóspede ao seu site, sem taxas por reserva. É preciso enviar preços e disponibilidade, normalmente através de um motor de reservas ou channel manager parceiro do Google.
Fontes e bibliografia
- Turismo de Portugal — Livro de Reclamações Eletrónico – Alojamento Local (consultado a 26 Out 2026)
- Google – Ajuda do Hotel Center — About vacation rentals on Google (links de reserva gratuitos) (consultado a 26 Out 2026)
- Rental Scale-Up — Airbnb's 15.5% Fee Is Really 18.4% to 19.1% for Most Small European Hosts (21 Jul 2026)
- Guesty — How much does Booking.com charge hosts? (consultado a 26 Out 2026)
- Postal do Algarve — Fazer férias em Portugal pode ficar mais difícil: mais de 10.000 alojamentos locais foram encerrados (11 Jun 2026)
- Eunews — Almost 1 billion nights booked in 2025 via Airbnb, Booking and Expedia (dados Eurostat) (1 Abr 2026)
- idealista/news — Alojamento Local: comissões pagas às plataformas de reserva dedutíveis no IRS (consultado a 26 Out 2026)
Vert Tech


