Esta semana há uma data que interessa a todas as empresas portuguesas: o Orçamento do Estado para 2027 vai a votos no Parlamento a 27 e 28 de outubro, e traz menos IRC, mais tempo para o SAF-T da contabilidade e regras novas para prémios e aumentos. Lá fora, o Meta vai mudar sozinho os anúncios de quem vende no Facebook e no Instagram, a Microsoft deixa comprar o Copilot sem Microsoft 365 e os táxis sem condutor já andam na Europa. Eis o que aconteceu e o que isto significa para o seu negócio.

1. Orçamento do Estado 2027: IRC a 18% e mais um ano para o SAF-T da contabilidade

O que aconteceu: a proposta de Orçamento do Estado para 2027 foi entregue no Parlamento a 8 de outubro. A taxa geral de IRC desce de 19% para 18% (a meta é 17% em 2028) e as PME continuam a pagar 15% sobre os primeiros 50 mil euros de lucro. As empresas que aumentem a remuneração base média em pelo menos 4,5% ficam elegíveis para o incentivo à valorização salarial, e os prémios de produtividade ficam isentos de IRS até 6% da retribuição base anual. O SIFIDE II (benefício fiscal para quem investe em investigação e desenvolvimento) é prolongado até ao fim de 2027, tal como o incentivo à habitação para trabalhadores (Observador).

Há também mudanças práticas na contabilidade: a entrega obrigatória do SAF-T da contabilidade passa para os exercícios de 2028 (primeira entrega em 2029), as faturas em PDF continuam aceites como faturas eletrónicas até 31 de dezembro de 2027 e o salário mínimo sobe para 970 euros em 2027 (PME Magazine).

O debate e a votação na generalidade estão marcados para 27 e 28 de outubro e a votação final global para 24 de novembro (JPN). Na segunda-feira, em Faro, o líder do PS, José Luís Carneiro, confirmou a abstenção: disse que a proposta «merecia um voto contra», mas que o dever do partido é evitar uma crise política (Observador).

Vídeo gratuito: «O que precisa de saber sobre o Orçamento do Estado para 2027? Veja tudo em 2 minutos e meio» — Renascença, YouTube.

O que isto significa para o seu negócio: as regras ainda podem mudar no Parlamento, mas já dá para planear. Se pensa dar aumentos em 2027, faça as contas aos 4,5%: é isso que abre a porta ao incentivo e à isenção dos prémios. E use o ano extra do SAF-T e das faturas em PDF para pôr o programa de faturação e a contabilidade a falar um com o outro, em vez de deixar tudo para a última hora. Se vende online, veja também como aceitar MB WAY e Multibanco na loja online.

2. Facebook e Instagram: o Meta liga sozinho a «navegação de produtos» nos anúncios a 28 de outubro

O que aconteceu: o Meta avisou os anunciantes de que, a partir de 28 de outubro, vai ligar a navegação de produtos (product browsing) nos anúncios que já estão a correr no Facebook e no Instagram, a não ser que o anunciante diga que não. Com esta opção, quem toca no anúncio pode ir parar a uma página dentro da app com os pormenores do produto e sugestões de outros artigos, em vez de seguir logo para o site da loja. Para recusar, há um botão «Opt out» no aviso enviado pelo Meta, e a opção pode ser desligada anúncio a anúncio nas definições de Criativo Advantage+ e Destino. O Meta diz que, num teste feito entre 6 e 21 de agosto com cerca de 117.700 anunciantes, as empresas tiveram em média 3% mais conversões; a PPC Land nota que o Meta não explica como mediu esse número e que o aviso não diz se os anúncios novos também vão ter a opção ligada (PPC Land).

Aplicação do Instagram aberta num telemóvel
Quem toca num anúncio pode passar a ficar dentro da app do Meta. Foto: Santeri Viinamäki, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

O que isto significa para o seu negócio: se anuncia produtos no Facebook ou no Instagram, decida antes de 28 de outubro. Ficar dentro da app pode dar mais vendas, mas também pode tirar visitas à sua loja online, onde o cliente vê as suas promoções, deixa o email e volta a comprar. Mesmo que deixe ligado, compare as vendas das duas semanas antes e depois — sobretudo com a Black Friday à porta. E guarde os contactos dos clientes no seu lado: explicamos porquê em como recuperar clientes inativos com automação.

3. Microsoft: a partir de 1 de dezembro compra o Copilot sem precisar do Microsoft 365

O que aconteceu: a 14 de outubro, a Microsoft anunciou aos parceiros que, a partir de 1 de dezembro de 2026, o Microsoft 365 Copilot e o Microsoft 365 Copilot Business (a versão para pequenas empresas) passam a poder ser comprados sem uma subscrição base do Microsoft 365. As novas ofertas têm o mesmo preço das atuais e chegam a todos os canais de venda. Desde 16 de outubro, as ofertas atuais passaram a chamar-se «(add-on)» e deixam de ser vendidas a 1 de dezembro — quem já as tem não precisa de fazer nada. Na mesma página, a Microsoft confirma que, também a partir de 1 de dezembro, as novas licenças do Copilot Business compradas através de parceiros (CSP) trazem a faturação por utilização ligada por defeito, com um limite inicial de 4.000 créditos Copilot por utilizador e por mês, que o administrador pode ajustar (Microsoft Partner Center).

Homem a trabalhar num portátil num escritório
O Copilot deixa de exigir o pacote Microsoft 365 a partir de dezembro. Foto: Bench Accounting, Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

O que isto significa para o seu negócio: se a sua empresa usa o Gmail e o Google Drive, ou ainda tem o Office instalado à moda antiga, o assistente de IA da Microsoft deixa de obrigar a trocar tudo. Mas atenção a duas coisas: a Microsoft diz que o Copilot continua a depender das apps e serviços Microsoft 365 para que tem licença, por isso confirme o que funciona no seu caso antes de comprar; e se comprar através de um parceiro, peça para ver o limite de créditos e quem recebe os alertas — a fatura por utilização pode surpreender ao fim do mês.

4. Os táxis sem condutor já andam na Europa: a Euronews experimentou o de Zagreb

O que aconteceu: a 18 de outubro, a Euronews publicou a reportagem de uma viagem no primeiro robotáxi sem condutor da Europa, em Zagreb, na Croácia. O serviço junta a Verne (empresa croata cofundada por Mate Rimac, que gere a frota), a Uber (onde se pede a viagem, escolhendo condutor humano ou IA nas opções UberX ou Comfort) e a chinesa Pony.ai (que fornece a condução autónoma). As viagens totalmente sem ninguém ao volante começaram a 10 de setembro, para um número limitado de convidados, numa rota de 22 km até ao aeroporto Franjo Tuđman. Há cerca de 30 carros elétricos, que já somam uns 200 mil km nas ruas de Zagreb; Manchester é a próxima cidade, e há planos para Londres, Madrid, Munique e Zurique (Euronews).

SUV elétrico Arcfox Alpha T5 branco a atravessar uma rua à noite
O Arcfox Alpha T5, o SUV elétrico usado nos robotáxis de Zagreb (na foto, um carro normal na China). Foto: Evnerd, Wikimedia Commons, domínio público (CC0).
Vídeo gratuito: «Verne Goes Fully Driverless» — Verne, YouTube.

O que isto significa para o seu negócio: ainda vai demorar a chegar a Portugal, mas o caminho é claro: os carros sem condutor estão a entrar nas cidades europeias através de apps que as pessoas já usam, como a Uber. Para quem vive do turismo, das deslocações ou das entregas — hotéis, alojamento local, restaurantes, transportes — vale a pena estar atento: os clientes vão habituar-se a pedir tudo pelo telemóvel e a contar com respostas imediatas, a qualquer hora.

O que fica desta semana para as empresas portuguesas

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Perguntas frequentes

Quanto IRC vai pagar uma PME em 2027?

Segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2027, entregue a 8 de outubro, as PME continuam a pagar 15% sobre os primeiros 50 mil euros de lucro tributável e a taxa geral desce de 19% para 18% no que passar desse valor. A proposta ainda vai a votos (generalidade a 27 e 28 de outubro, votação final global a 24 de novembro) e pode mudar.

Como desligo a navegação de produtos nos anúncios do Facebook e do Instagram?

O Meta enviou aos anunciantes um aviso com um botão «Opt out» que pode ser usado antes de 28 de outubro de 2026. A opção também pode ser ligada ou desligada a qualquer momento, anúncio a anúncio, nas definições de Criativo Advantage+ e Destino do Gestor de Anúncios.

Posso comprar o Microsoft 365 Copilot sem ter Microsoft 365?

A partir de 1 de dezembro de 2026, sim: a Microsoft vai vender o Microsoft 365 Copilot e o Copilot Business sem exigir uma subscrição base do Microsoft 365, ao mesmo preço das ofertas atuais. O Copilot continua a depender das apps e serviços Microsoft 365 para que a empresa tem licença, por isso convém confirmar o que funciona no seu caso.

Fontes e bibliografia

  1. Observador — IRC, incentivos à inovação, contribuições extraordinárias. O que prevê a proposta de Orçamento do Estado para as empresas em 2027 (8 Out 2026)
  2. PME Magazine — OE2027: 10 medidas que as empresas precisam de conhecer (9 Out 2026)
  3. JPN — PS e Chega querem travar atualização das propinas prevista no OE2027 (19 Out 2026)
  4. Observador — PS abstém-se no OE2027 para evitar "precipício" (20 Out 2026)
  5. PPC Land — Meta will turn on product browsing in existing ads on October 28 (15 Out 2026)
  6. Microsoft Learn (Partner Center) — October 2026 announcements - Partner Center announcements (14-15 Out 2026)
  7. Euronews — Look, no hands: Euronews rode driverless in Europe's first robotaxi in Zagreb (18 Out 2026)
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